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Construir vínculos na diversidade é possível? Mudança de mindset e ferramentas socioemocionais

Atualizado: Fev 24

por Muriel Magalhães.




Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.

Nelson Mandela



A partir dos dados obtidos por uma pesquisa realizada pelo Instituto ETHOS, em que foram analisados “O perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas”, temos como intuito neste artigo refletir sobre a importância da mudança de mindset das empresas no que diz respeito à diversidade.


As tecnologias socioemocionais (os círculos de construção de paz, a comunicação não-violenta, a mediação extrajudicial e a constelação organizacional) surgem como ferramentas fundamentais para desconstruir muros e construir pontes, criar vínculos no âmbito empresarial e fortalecer a diversidade nas organizações.

Primeiramente, é preciso contextualizar o cenário atual:


As mulheres compõem 51,4% da população brasileira, porém continuam enfrentando um afunilamento hierárquico, que as exclui dos cargos mais elevados nas corporações. A igualdade de gênero nas empresas não só é rica para a troca de olhares e conhecimento, mas também para o crescimento econômico.

Nesse sentido, Rachel Moreno explica como o sexismo custa caro para os países latino-americanos, já que

Se o desequilíbrio fosse corrigido, o PIB per capita da região seria 16% maior, calculam David Cuberes, da Universidade Clark, em Massachusetts (EUA), e Marc Teignier, Universidade de Barcelona (Espanha). Em novo artigo, os dois economistas examinam também os efeitos econômicos da diferença entre as taxas de homens e de mulheres que comandam empresas. As mulheres latino-americanas são relativamente mais empreendedoras.

No caso dos negros, que representam 52,9% da população do país, a situação de desigualdade também é visível e mais acentuada. A maioria está nos cargos de aprendizes e trainees, somente 6,3% estão na gerência, e 4,7% no quadro executivo. Quando as empresas foram indagadas se há alguma ação afirmativa para ampliar a presença de negros, uma relevante parcela de gestores respondeu que, apesar de perceber que nos cargos de maior nível hierárquico a presença de negros é pequena, a empresa muitas vezes não sabe como lidar com essa questão. Em relação às pessoas com deficiência, a pesquisa aponta que as empresas indagadas possuem 2% deste grupo em seus quadros, e declaram não possuir medidas de incentivo para a presença destes na posição de comando.


Sobre o poder da inclusão, Marta Gil explica a potência da troca e das repercussões positivas para o ambiente empresarial.

Sua presença colabora para melhorar o clima organizacional: a humanização e o aumento das condições de acessibilidade do ambiente contribuem para a produtividade. Estimula a criatividade, a busca de soluções, a identificação de oportunidades de negócios, de serviços e de talentos, que contribuem para a sustentabilidade da empresa. Traz repercussões positivas para a vida de todos os funcionários, suas famílias e comunidades, e para a imagem institucional.

A ideia até o presente momento foi pincelar como o tema vem sendo tratado nas empresas brasileiras, e como a questão da diversidade é preocupante para as organizações, tanto no aspecto da produtividade quanto no da responsabilidade social corporativa.

Diante deste cenário, vale lembrar que no ano 2000 foi lançado o Pacto Global pelas Nações Unidas, que convidou empresas de todo o mundo a alinhar suas operações, visando desenvolver ações que contribuam para diversos desafios sociais.


Ao encontro, em 2015 a ONU propôs a seus países membros uma agenda composta por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que buscam assegurar saúde e bem-estar, igualdade de gênero, trabalho digno e crescimento econômico, redução das desigualdades, entre outros.


Não podemos negar que ainda temos muito a avançar no combate aos preconceitos. Pesquisa realizada no ano de 2007 revelou que “sete em cada dez brasileiros já fizeram observações carregadas de prejulgamentos contra mulheres, negros, LGBTs e outros”.


Após a exposição de todos esses tópicos, fica a pergunta: Como mudar o mindset diante das diferenças e como construir vínculos entre a equipe, dinamizando assim a produtividade e melhorando a qualidade do ambiente profissional e das relações?

As ferramentas socioemocionais se apresentam como possibilidade para transformar o atual mindset das empresas e fortalecer laços no ambiente empresarial, construindo assim uma visão de comunidade e interconexão.


As práticas restaurativas mergulham na filosofia africana ubuntu, que significa “Eu sou porque tu és” e, segundo esse olhar, todos nós estamos conectados, a ação de um indivíduo acaba afetando o outro e toda a comunidade.

Quando me reconheço no outro, laços são construídos e fortalecidos. Se me identifico na condição humana do outro, naturalmente meu comportamento se torna compassivo, empático e benevolente.


No contexto corporativo, a diversidade é um tema que necessita urgentemente de visibilidade. A filosofia ubuntu e as práticas restaurativas se apresentam como importantes instrumentos para construir pontes dentro das empresas, e consequentemente disseminar esses valores para toda a sociedade.


Kay Pranis, de forma muito sensata, descreve o que é diversidade

Dentro da natureza, a diversidade é a fonte da força. A interdependência é essencial para sobreviver. É o jeito da natureza. Cada célula de nosso corpo é diferenciada para desempenhar uma função especializada que contribui para o todo. Isto é tão verdadeiro para as famílias como o é para as organizações. Pessoas diferentes são necessárias, porque pessoas diferentes veem e fazem coisas de modo diferente. Nós temos de ter talentos, personalidades e perspectivas diversificadas, a fim de encontrar soluções inovadoras para suprir nossas necessidades. É preciso ter humildade – percebendo que cada um de nós sozinho não tem todas as respostas – e é preciso ter gratidão para que possamos estar abertos aos dons que os outros trazem.

Vamos começar uma série de postagens aqui no blog sobre as ferramentas socioemocionais, sobre como se relacionam com as ODS da ONU, e de que forma podem auxiliar a sua empresa na transformação dos conflitos, nos desafios ligados ao reconhecimento e fortalecimento de vínculos, na produtividade e no desempenho.

[1] https://www.ethos.org.br/wp-content/uploads/2016/05/Perfil_Social_Tacial_Genero_500empresas.pdf.


[2] http://www.economist.com/news/americas/21661804-gender-equality-good-economic-growth-girl-power.


[3] MORENO, Rachel. O sexismo custa caro. Disponível em: https://www.ethos.org.br/wp-content/uploads/2016/05/Perfil_Social_Tacial_Genero_500empresas.pdf.


[4] https://www.cartacapital.com.br/diversidade/no-brasil-o-machismo-e-o-preconceito-mais-praticado/.


[5] PRANIS, Kay. No coração da esperança, Guia de Práticas Circulares. AJURIS. 2011.




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