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Construindo uma cultura de paz nas empresas. Você já ouviu falar das práticas restaurativas?

Atualizado: Mai 25



Inspirada em tradições aborígenes, as práticas restaurativas são ferramentas que oportunizam o desenvolvimento das competências emocionais, já que propõe uma conscientização das próprias emoções e das emoções dos outros, o gerenciamento de conflitos e a construção de diálogos saudáveis.


As práticas restaurativas têm como foco as necessidades.

Quando olhamos de forma atenta para as relações interpessoais nas empresas o que se vê é uma enorme falta de diálogo e de empatia. Conforme recente pesquisa realizada que comprovou que 68% das empresas colocam falhas de COMUNICAÇÃO como a principal causa de conflitos organizacionais (1).


Neste sentido, Brené Brown (4) aponta a dificuldade dos líderes em dar feedbacks honestos e produtivos, de dedicar um tempo sendo proativos, de buscar reconhecer e lidar com medos e sentimentos que surgem durante mudanças e momentos de turbulência e falta de vínculo e empatia, como alguns dos obstáculos que aparecem em organizações por todo o mundo.

As práticas se apresentam como potentes ferramentas no contexto organizacional, já que atuam na prevenção de danos, no fortalecimento das relações e no desenvolvimento da empatia.


Quando construímos um espaço de escuta, segurança e acolhimento conseguimos conectar pessoas, compartilhar valores e comportamentos, criar laços e estabelecer redes, agir de forma conjunta em busca de um mesmo objetivo. No caso de um contexto responsivo, ela busca reparar relacionamentos e eventuais danos.

Mas o que seriam empresas que atuam com lentes restaurativas?

De acordo com Terry O´Connel (2) elas têm como base 5 temas:


"Tema 1 – Perspectivas pessoais e igualmente valorizadas. -Todos têm suas próprias perspectivas sobre uma situação ou acontecimento, e necessitam de uma oportunidade de se expressar para se sentirem respeitados, valorizados e ouvidos.


Tema 2 – Os pensamentos influenciam emoções, e emoções influenciam ações subsequentes. -O que as pessoas pensam em um determinado momento influencia o que sentem naquele momento, e estes sentimentos informam o comportamento. Os pensamentos e sentimentos estão ‘abaixo da superfície’, mas ainda é muito importante entendê-los.


Tema 3 – Empatia e consideração pelo outro.- Conflitos ou desentendimentos podem resultar em danos – em termos de emoções negativas como raiva, mágoa, medo, frustração e confusão, e em termos de relacionamentos e conexões danificados entre pessoas.


Tema 4 – Necessidades.- É provável que tanto as pessoas que causam danos, quanto aqueles que são diretamente afetados têm necessidades similares. Até que estas necessidades sejam atendidas, o dano pode não ser reparado e os relacionamentos podem permanecer danificados.


Tema 5 – Confiança e empoderamento – Apropriação pela resolução de problemas e tomada de decisão. As pessoas afetadas pela situação ou acontecimento são quem melhor podem identificar o que deve acontecer, para que todos sigam com suas vidas e para que o dano seja reparado. Esta ‘apropriação’ da tomada de decisão e resolução do problema, demonstra respeito e confiança, desenvolve habilidades e convicção pró-sociais e fortalece as conexões."


Nós do Restaura Restabelecendo Diálogos, vamos ao encontro de Terry na visão do que seria uma empresa com lentes restaurativas, mas também concordamos com Kay Pranis (3) pois entendemos que quando desenvolvemos a consciência sobre nossos sentimentos e necessidades, e conseguimos ter empatia pelas necessidades do outro, percebemos o impacto que causamos nas vidas uns dos outros e assim conseguimos adquirir inteligência e domínio emocional, uma habilidade interpessoal necessária para uma vida bem sucedida, tanto pessoal como profissional.


Desta forma, utilizamos em conjunto com os círculos de construção de paz ( um dos procedimentos das práticas restaurativas), a consciência emocional, a atenção plena e a comunicação não-violenta nas empresas.

Mas o que é o círculo de construção de paz?


É um espaço intencional onde o facilitador estabelece um roteiro que irá guiar os participantes na construção do diálogo e apoiar a expressão e criação de interconectividade entre si mesmo diante de diferenças; trabalhar a responsabilidade e o reconhecimento dos dons e valores de cada um, buscando evocar a sabedoria individual e coletiva, além de desenvolver o engajamento.

Para concluir, interessante imaginar um caso prático onde o círculo de construção de paz poderia ser utilizado de forma preventiva.

Uma gestora de RH percebe que uma determinada equipe apresenta:

  • dificuldade de conexão e baixo rendimento

  • provavelmente o ambiente de trabalho é ruim e há pouco diálogo;

  • o líder não sabe dar um bom feedback e transmitir os valores da empresa

O que fazer diante dessa situação?


Os círculos se apresentam como uma ótima ferramenta, já que depois de incorporados na equipe podem ser utilizados quando todos observarem ser necessário.


Podemos propor alguns tipos de círculos, por exemplo:

Diretrizes para a equipe de trabalho: Construir diretrizes que apoiem e tornem produtivas e respeitosas as interações de todos os membros;


Feedback para os gestores: Reforçar a comunicação entre equipe e gestores, oferecendo-lhes a oportunidade de dar um feedback sobre a interação e o formato de cooperação e trabalho e;


Construção de Relacionamento: Ajudar os membros do círculo a se conhecerem melhor e a construir confiança.

A ideia de escrever esse breve texto é apresentar todo o potencial das práticas restaurativas, como ferramentas na construção de uma cultura de paz no contexto empresarial. De modo que, valores como o respeito, a união, o cuidado, a empatia e o diálogo saudável façam realmente parte do dia a dia das pessoas e das organizações.


Que todos juntos possamos caminhar rumo a uma sociedade mais consciente e empática.


Qualquer dúvida sobre o tema, estou à disposição.


Grande abraço.

Muriel Magalhães.

Fundadora do Restaura Restabelecendo Diálogos.

Facilitadora de Comunicação Não-Violenta, Práticas Restaurativas e Liderança Servidora.


Referência Bibliográfica:

  1. Estudo com 170 empresas realizado pelo Hay Group no Brasil entre 2010 e 2014 in Harvard Business Review - outubro de 2015 e Pesquisa do Grupo de Estudos da ABRH-SP sobre Recursos Humanos e a Gestão de Conflitos Organizacionais respondido por 136 empresas - 2016.

  2. Abordagens Restaurativas em Ambiêntes de Comunidades Seguras – Manual do usuário do Transforming Conflict - TORNANDO-SE RESTAURATIVO EM SEU LOCAL DE TRABALHO Uma gama de práticas restaurativas para lidar restaurativamente com situações do dia a dia, licenciado por Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.0 UK: England & Wales License

  3. No coração da esperança : guia de práticas circulares : o uso de círculos de construção da paz para desenvolver a inteligência emocional, promover a cura e construir relacionamentos saudáveis. Carolyn Boyes-Watson, Kay Pranis ; tradução : Fátima De Bastiani. – [Porto Alegre : Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Departamento de Artes Gráficas], 2011.

  4. A coragem para liderar. BROWN, Brené. RJ. Best Seller.2019.

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